Aproveitando que soltamos aqui na Black Media o Mal Passado da mais recente parte do Rodrigo TX pela adidas, Além Mar, filmada toda em Portugal, chamei o Presidente, aka Rodrigo TX, pra trocar uma ideia sobre o vídeo e sobre a fase atual da sua vida. Coisa rápida:
Há quanto tempo você mora em Portugal? E por que decidiu mudar?
Eu ia muito pra Barcelona em 2022, 2023, ali depois da pandemia. Indo pra casa, eu pegava uns voos que faziam conexão em Lisboa. Em 2022, eu fiquei uma semana. E aí rolou uma pop-up (store) da Sigilo, Antú e tal, que o Igor Morozini fazia parte… A gente fazia na guerra mesmo, né? Levamos os produtos nas malas, eu e o Vinicinho. Aí o Fleezus estava por lá também, um dos manos do Brime. Fizemos um videozinho curto, anunciamos, rolou o pocket show do Fleezus e colou uma banca do Brasa, tá ligado? E eu já tava curtindo a cena: “Caralho, que foda, tem vários Brasa aqui”. Aí voltei pro Brasil. Em 2023, de novo: Barcelona, conexão em Lisboa, era pra ficar três dias e, na volta, fiquei duas semanas, fui conhecendo mais gente… Eu gosto muito do Brasa mas, pra andar e ter motivação, viver coisas novas, se eu ficar muito na mesmice eu meio que me acomodo. E o Brasa tem isso, além de todo mundo gostar de uma bagunça também, né, mano? E São Paulo, querendo ou não, eu já andei na maioria dos picos. Meus parceiros estão mais velhos, a maioria dos amigos de infância anda uma vez por mês. No fim de semana, os caras tão na rua pra bagunça. Se eu não estiver me movimentando, acabo me perdendo um pouco. E eu curto viajar, mas não uma semana. Eu gosto de ficar dois meses, conhecer, ver o dia-a-dia como que é, tá ligado? Então fiquei nessa, indo e voltando, até que chegou uma hora que falei: “Mano, quer saber? Vou tentar morar aqui”. Aí apliquei pra tirar um visto de residência. Como tinha aplicado, eu podia ficar em Portugal mas não podia sair pra lugar nenhum. Eu só podia voltar pro Brasil se tivesse uma justificativa, tipo doença na família. Tinha que ter um motivo. E durante esse processo, no resto da Europa você fica ilegal, então só pode mesmo ficar em Portugal. Passou uns três meses, a adidas me chamou pra uma tour na França e eu tentei ir. Fazendo o check-in, os caras: “Não, você tá ilegal, vou chamar a assistência, a imigração”. Eu falei: “Pelo amor de Deus, dá meu passaporte”. Peguei meu passaporte e saí voado. Talvez não desse nada, mas nem esperei pra ver qual ia ser. Peguei meu passaporte e vazei. Aí me chamaram pra uma tour na Itália; não fui também. Passaram três meses, me chamaram pra Holanda. Eu já tava cheio, ficando louco, seis, sete meses lá. Eu fui e deu certo. Fui, voltei. Nove meses e nada do meu visto, da residência, nada. Fiquei um ano em Portugal. Anoitecia quatro e meia da tarde, só chuva, eu tava quase entrando em depressão. Aí cancelei o visto e fui pro Brasa. Mas voltando um pouco, esse ano que eu fiquei só em Portugal, eu só filmei em Lisboa. Eu queria fazer a parte e isso facilitou tudo. De três em três meses eu mandava imagem pra adidas: “Ó, não posso viajar, mas tô trabalhando”.
Os picos daí são muito da hora, muito pico.
E pouco explorado também. Tem muito pico que é do hype, a Espanha já teve muito, a França, Paris tá tendo um auge agora. Já rolou muita viagem pra Alemanha. Portugal meio que não rolou, porque é muito perto da Espanha que, realmente, tem mais pico, não tem pedra portuguesa. Então quando alguém quer ir praqueles lados, vai pra Espanha. Agora tá começando em Portugal, é pouco explorado. Barcelona, muito pico, mas você chega e: “O que já deram aqui?” 300 manobras. É da hora, mas você vai dar o quê aqui? Portugal não tem tanto isso. Na teoria, fica mais aberto, mais fácil.
E você já conhecia o Valduga (videomaker)?
Eu trombei o Savino (Marco) no avião indo pra Portugal e perguntei se ele conhecia alguém pra me filmar lá. Ele falou que tinha o Galli (Daniel), mas ele tá sempre numa função, sempre com uma banca também. “Não tem um mano mais mocado?”. “Tem o Valduga”. Cheguei lá, deu um mês eu dei um salve no Valduga. Fizemos uma, duas sessões, já filmamos uns bagulhos, bateu uma sintonia. Ele deve morar há uns dez anos lá, foi novo pra lá. Então ele flagra a cidade, os picos, o transporte público. “Tal estação, pega o metrô tal”. Facilitou pra caramba também; um mano que já morava lá, do Brasa, videomaker, skatista. Foi meio que natural. E aí eu só me empenhei. Então foram vários fatores pra tudo rolar. É um país que a gente se identifica, tá ligado? Não é só português, a língua. É um país tranquilo, tem a questão da segurança também, que é suave. O transporte público funciona, você pega um trem e em 30 minutos tá numa praia foda. No verão escurece nove horas da noite, dá pra andar, fazer a sessão e depois ir pra praia. Você só pega Uber se estiver quebrado, cansado. Mas enfim, isso foi em 2023. Aí voltei pro Brasa e tinha que ficar lá por seis meses pra depois voltar como turista. Fiquei de janeiro a julho no Brasil e voltei pra Portugal. Fiquei um mês e meio, filmei mais coisa, e aí meu pai faleceu, mano. E eu tava lá. Voltei pro Brasa, fiquei um mês e meio e voltei de novo, só que não tava muito legal das ideias. E aí começo de 2025, em fevereiro, me machuquei. Zoei a virilha e fiquei praticamente até novembro sem andar. Então essa parte foi praticamente toda filmada em 2023, que foi o ano que fiquei lá. 2023 e um pouco de 2024.
Então você voltou a andar de verdade agora, fim de ano, começo desse ano. Tá zero de novo? Andando todo dia?
Eu tô tentando entender, mano. 42 anos, tentando entender como é que faz, o corpo… Cheguei aqui na China meio baleado do joelho, meio em choque já. Aí já tomei os remédios, tá tudo aqui do lado da cama, esperando pro dia que eu precisar, mas faz dias que eu não preciso do anti-inflamatório e do relaxante muscular. E aí, tipo assim: “Ah, andei um dia demais, tem que ficar quieto no outro”. Mas eu entrei no ritmo, eu tô há 10 dias andando sem parar. Cansado, mas vou andar, foda-se. Falei dez, mas deve ser uns 15 dias já sem parar, sem parar, sem parar. Tá da hora. Acho que a gente tem fases. O corpo vai ficando mais velho, mas você vai entrando no ritmo e só vai. Vem uma energia ali, uma emoção aqui. Tava demorando pra chegar essa fase, mas chegou de novo.
Que bom ouvir isso! Ia te perguntar até: tem muita gente comentando nessa parte: “Caralho, eu vi esse cara andando há 25 anos e ele ainda tá soltando as partes boas, andando bonito, mesmo estilo”. Você enxerga isso? Você se preocupa com isso? Estar sempre rendendo, andando nos picos legais, manobras boas, estilo…
Raramente eu curto os bagulhos que eu faço. É meio chato porque você se cobra muito. Mas ao mesmo tempo que você se cobra muito, faz você se puxar. Tipo, você não curte, então você quer melhorar, tá ligado? E eu aprendi que o meu corpo não é o mesmo. O meu skate foi evoluindo numa outra velocidade, e o skate mais jovem, da molecada, vem em outra, a milhão. Então, tipo assim: “Em que eu posso evoluir?”. Dar umas paradas mais no gás, voltar as paradas mais sólidas, fazer umas combinações de manobra que fazem mais sentido na linha, tá ligado? Ter uns picos diferentes do que eu já tive. Então de uns anos pra cá eu tento mostrar isso, evoluir dessa forma. A evolução não é tipo: “Ah, o cara tá dando um nollie flip crooked saindo de não sei o quê”. Não, é tipo… Mais gás. Mais bem montada. Entende? Essa é a minha viagem. E isso de já estar aí há mais de 20 anos… Mano, faz vários anos já que eu acho que não aguento mais. “Acho que não vai”, “mano, acho que é a última parte”. Vou falar a real pra você, essa última parte que saiu eu tava machucado, mano. Seis meses me dedicando, sem beber, sem sair, fisio, treino, creatina, acupuntura, fazendo de tudo e não ficava bom. Falei: “Fudeu”. Foi uma luta, mas aí consegui ficar bom. E agora, humildemente falando, eu quero é mais. Tô rendendo. Eu vejo o jeito que eu tô andando agora e a minha cabeça mudou: “Não, mano, se eu tiver perna, se eu tiver saúde que nem eu tô agora, vambora, vambora, vambora!”. Quando eu me machuco eu fico questionando mesmo: “Será? Quanto tempo eu vou conseguir?”. Muitos altos e baixos. E aí quando você fica no baixo você acha que é aquilo, que você vai ficar naquilo. Mas você tem que seguir insistindo. Você gosta de andar? É isso que você gosta de fazer? Mano, se cuida, foca em andar. Não dá pra manobrar? Vai pra rua, dá uns impulsos, varial, no comply. Cola na pista de skate cedo mesmo, só pra você dropar uma 45 ali, pum. E segue no foco que uma hora volta. Não é a primeira, a segunda, a terceira vez que eu passo por essa situação. E aí eu tô vendo que é fase. É se cuidar, manter o foco que uma hora volta.
E os caras comentando nesse último vídeo: “For me is crazy, like”, por causa do Menikmati, até hoje! Hahaha!
Ah, fizeram um documentário do Menikmati esses tempos. Então nesses últimos meses o “for me is crazy, like” tá em alta. Hahahaha!
