Com 14 anos de idade e skatista desde os 4, Miguel Leal conheceu o skate por causa do pai, que viveu o skate ao máximo e lhe mostrou as vivências e experiências dessa vida que tanto amamos. Influenciado por caras como Cardiel, Ragueb e Grant Taylor, Miguel anda de skate 24hs por dia se deixarem. Essa vídeo parte, filmada durante três meses, chega pra lapidar a entrada na MCD do jeito certo, somando nessa nova fase da marca que já tem no time de skate Ítalo Penarrubia e Matheus Melo. Miguel tem energia de sobra e tá só começando! Vai segurando aí.
Aproveitei pra trocar uma ideia com ele sobre a entrada na MCD e a vídeo parte.
Como rolou o convite pra entrar na MCD?
Foi do nada. O Leandro chegou um dia e mandou uma mensagem: “Mano, tem uma coisa boa aí pra você, chegou aqui na minha mesa”. Falou que os caras da MCD queriam falar comigo, e foi assim, do nada. Muito rápido. No outro dia, já fui lá no escritório deles, conheci todo mundo… Agora faço parte do time da MCD, da Posso, Moska e Cave Pool. É muito louco porque eu sempre acompanhei o Ítalo Penarrubia, o Matheus Melo… O Matheus me conhece dos eventos, a gente já se trombava. Eu estar lá como único amador é uma gratidão imensa! Entrei agora na marca, que também tá entrando nessa cena agora, uma marca forte. Eu sempre gostei da MCD, minha mãe usava muito, eu usei muito também desde pequeno. É uma coisa muito importante pra mim.
Falando da parte agora: é sua primeira parte, né?
Minha primeira vídeo parte. Eu curti… Já tinha começado a gravar pro Menores e Furiosos (vídeo da Cave Pool). Então já tinha umas imagens guardadas, a gente tava saindo direto pra gravar. Aí chegou a MCD, já tinha essas imagens e falamos: “Vamos ter que fazer o vídeo”. Aí gravamos mais algumas e tá aí. Na hora de editar eu tava junto com o Jeey Pi, fiquei todo arrepiado quando vi pela primeira vez. Eu assisti umas sete vezes, não conseguia parar de ver. Fiquei arrepiado.
Qual foi a trick que mais te deu trabalho?
Foi o varial flip indy batendo o pé na parede. No primeiro dia, fiquei a manhã inteira, uma quatro horas tentando. Aí, passaram-se uns bons meses e o Jeey Pi falou: “Vamos na Saúde gravar essa”. Cheguei lá e acho que voltei em sete tentativas, rapidinho.
Você ficou dando palpite na edição ou só deixou na mão dos caras da Cave, do Jeey Pi? Ficou enchendo o saco?
Deixei na mão deles. Eu tava do lado do Jeey Pi, via ele editando. Não tinha como ter ficado melhor, ficou perfeito. Eu curti! Eu e o Jeey Pi, a gente já vem de um tempo, ele que começou a me arrastar mais pra gravar, saiu muito comigo. Eu aprendi muito com ele também. Ele sabe qual é o meu estilo. Ficou perfeito, do meu jeito.
E qual sua manobra preferida da parte?
Tem o 540 de front lá no Parque da Uva, e o varial flip indy que eu curti muito também.
E aquele drop da grade vermelha? Tô ligado que tinha alarme, não dava pra ficar tentando muito.
A gente foi na Berrini ali, tava eu e os moleques e a gente viu a grade: “Pô, vamo lá, vamo lá”. O segurança viu a gente atravessando a rua e já colocou o cone ali. Colocou três cones e entrou de volta. Quando entrou de volta, eu subi na grade, o Miguel Bonelli tirou o cone e eu dropei. Foi rápido, eu dropei e ele já chegou, pegou o cone e colocou de volta. A gente mandou o drop e ele chegou bem na hora. Eu mandei e a gente saiu andando.
E qual foi a importância do Ragueb nessa parte? Foi ele que te levou em todos os picos de ladeira, né?
Foi… Ele é muito parecido comigo, começou na ladeira, é da ladeira. Então, a gente teve uma conexão muito… A gente se conheceu e já se entendeu. Tudo que eu tô vivendo agora ele já passou há um bom tempo. Na rua eu aprendi muito com ele, aprendo ainda. Toda vez que vou andar de skate com ele, eu sento e fico vendo ele andando primeiro, vejo o que ele faz… Me inspiro muito nele na rua.
Você acha importante pro seu skate ter esse contato com outras gerações?
Sim, porque tudo que eu tô vivendo, eles já viveram. Eu aprendi muito com o pessoal das antigas. Meu pai andava com o Sérgio Negão, Salada, Zóio… Eu cresci nesse meio.
Campeonato, filmar, sessão sem filmar nada… O que te faz mais feliz hoje?
Não sei. Andando de skate, pra mim tá bom. Eu gosto de tudo: de gravar, sessão de manhã, de tarde, campeonato, bowl, rua… Qualquer lugar pra mim tá bom. Eu tenho a escola e estudo até tarde, então não tenho tanto tempo. Aì quando sobra um tempinho, dá umas seis e meia, pego meu skate e vou pro half, fico duas horas sozinho. E quando eu tô livre, minha mãe fica até brava: “Ah, mas vai sair tão cedo?”. Saio seis horas da manhã, vou pra rua, volto meia-noite, uma da manhã. O dia que eu tô livre, aproveito o máximo pra andar de skate.
Você começou a andar onde? Half, pista, rua…
Eu comecei na ladeira, downhill slide. A primeira vez que eu pisei num skate foi por causa do meu pai, com três anos de idade. Meu primeiro campeonato foi com cinco anos, em Brasília, um evento de ladeira.
E da ladeira como foi pro half, pro street?
Foi por causa do meu pai mesmo, ele sempre me levou em todos os picos. Andava na ladeira, depois de street, depois no bowl, aí ia pra São Bernardo… Eu lembro que a gente passava o dia lá, eu e meu pai. Lembro que a primeira vez que eu dropei o half foi lá, com seis anos de idade. Eu dropei, bati de cara na outra parede, levantei, subi e dropei de novo. Desde pequenininho, sempre andei em tudo. Gostava de dropar paredão, eu sempre me jogava.
E você tem medo? Do half, da ladeira? O que te dá mais frio na barriga?
Acho que é o half. É que eu me jogo muito, sou meio louco.
Quer deixar algum recado?
Quero agradecer minha família, que sempre esteve comigo. Meu pai, que hoje não está mais comigo, mas me ensinou muita coisa. Os moleques da Cave… Quando eu entrei lá, eles me acolheram em uma fase que tava foda na minha vida, eu tinha acabado de perder meu pai. O Jeey Pi, o Magu, os moleques… Eles são parte da minha família também, minha segunda família.
